Isso já está virando uma tradição, pra que deixar pro final do ano o que você pode fazer no meio, não é mesmo? Afinal, seguir datas e ordens numéricas é uma prática cristã e não estamos aqui pra isso. Chegamos na metade de 2012, reza a lenda que o mundo acabará bem em breve, então resolvemos mostrar 12 sugestões de discos nacionais (linkados pra download) que vocês já deveriam ter escutado neste ano cataclismático! Antes de todo o mimimi sobre nossa lista, aviso que apenas no Hominis Canidae já foram postados 123 registros de 2012, então fica difícil agradar todo mundo! Outra coisa, os comentários estão abertos e é sempre legal saber quais seriam as listas dos melhores desta primeira metade de 2012 na opinião de vocês, então se divirtam exercendo isso nos coments e confiram nossa lista em ordem alfabética…

Camel Heads – Camel Heads: nunca fui fã de guitarras num sentido solado e etc. Sempre achei que isso acabava estragando as músicas, vide várias bandas de metal. Camel Heads é um projeto de psicodelia que usa bastante desse instrumento, mas ela não é forçada, nem solada de maneira inteiramente escrota. O som é dos bons e a técnica presente aqui supera bastante banda que se diz “calcada no post-rock”.

Chinese Cookie Poets – Worm Love: Pela crítica, esse é um disco meio ruim e feito nas coxas, mas discordo totalmente e explico o porquê: Worm Love é porrada e acaba marcando um momento diferente da banda. Enquanto seu primeiro EP era regado de free jazz e todas as experimentações mais calcadas no John Zorn, o Dragonfly Catchers and Yellow Dog ia dando a entender que eles cairiram mais para o noise em um álbum posterior e acabou rolando exatamente como previsto. Foi uma das coisas mais interessantes que escutei esse ano, principalmente pela coragem de falar “é isso e foda-se”.

Cidade Cemitério – Asa Morte: Cidade Cemitério é uma banda de punk/hardcore do Distrito Federal, que lançou seu primeiro disco em fevereiro deste ano e começou muito bem. Neste primeiro registro do grupo, resolveram prestar uma linda homenagem a Brasília, bela cidade capital deste nosso Brasil! Faixas rápidas, guitarras distorcidas, muito gritos e grunhidos nos vocais, letras retas e sinceras que não aliviam no que querem dizer ou passar, mais uma lindeza deste país tão diversificado.

Deus Nuvem – Waving at us, We’ve Provoked: o instrumental bem feito é algo extremamente mágico. Gosto de viagens e de bandas que te convidam a isso e Deus Nuvem é uma delas. Seu disco, Waving at Us, We’ve Provoked, tem uma levada um pouco… bem, deixa pra lá. É experimental e é muito bom, mesmo. Um daqueles álbuns para ouvir durante o dia todo, no repeat, sem se cansar.

D Mingus – Canções do Quarto de Trás: Domingos Sávio é um músico pernambucano que tem como principal marca a qualidade do seu trabalho todo gravado em casa. Neste novo disco solo, gravado no quartinho de trás do apartamento onde mora, ele resolveu explorar todo o universo Folk que o influenciou desde sua adolescência. Acrescente uma pitada de psicodelia adquirida ao longo dos anos na música instrumental, um violão folk na mão do músico e algumas letras nostálgicas e você tem um dos registros mais sinceros e bem feitos deste ano até o momento.

Jennifer Lo-Fi – Ao Vivo Estúdio Trama: a Jennifer Lo-Fi é uma das bandas de rock experimental mais interessante da cena nacional e esse registro veio bem pra mostrar um pouco como funciona toda essa psicodelia ao vivo, mesmo que em um estúdio. Neste disco com músicas dos 2 EPs do grupo, ainda aparece uma música inédita bem boa chamada Bruxelas e que vai estar no novo EP da banda. Destaque para a atmosfera sonora criada pela banda entrelaçando bem as canções e para o vocal incrível e visceral da Sabine Holler.

Labirinto – Kadjwynh: um EP instrumental lotado de contexto político, além de toda aquela experimentação que faz com que você pense “puts, eu queria fazer isso”. Kadjwynh da Labirinto, me deixou com uma sensação de quero mais, até reclamei que mais duas ou três faixas, não me fariam triste não, muito pelo contrário. Se você é fã de post-rock, coisas instrumentais e é contra Belo Monte, ouça esse álbum.

Mnemosine 5 – Mnemosine 5: primeiro registro deste quinteto brasileiro oriundo de São Paulo. O mote das canções é o improviso e a música livre, que devido as diversas influências dos integrantes acaba por criarem diversos temas bastante atrativos. É bem interessante a mistura de instrumentos mais tradicionais (como o violino) unidos a uma formação mais clássica de banda (baixo, bateria, guitarra), o trompete ácido pode ser chamado de cereja do bolo. Aparece em nossa lista pela enorme qualidade alcançada e também pela coragem de desenvolver tal estilo sonoro em terras tupiniquins, muito fino o trabalho.

Psilosamples – Mental Surf: Zé Rolê conseguiu aqui misturar todo um clima de interior com efeitos eletrônicos dos bons. Me sinto na casa da minha avó quando escuto esse disco e puts, isso é legal. Uma cidadezinha, um rapaz da “roça” (como ele mesmo diz) e um notebook. Caso queiram ler uma resenha mais aprofundada, me atrevi nesse post, mas por mim, isso é muito bom.

Sambanzo – Etiópia: eis aqui mais um projeto do músico e saxofonista Thiago França, uma das cabeças mais produtivas da música nacional atualmente. O termo “sambanzo” vem da junção das palavras samba e banzo, banzo é uma palavra utilizada pelos negros para explicar a saudade da Mãe África. Ou seja, preciso dizer quanto de música africana esta presente nesse registro? Com uma percussão ácida e perturbadora, batidas tortas, guitarras distorcidas e baixos marcantes, todos os instrumentos guiados pelo sax do Thiago, uma aula da boa música do mundo, que não se prende a fronteiras, mas que pra nossa sorte vem sendo feita no Brasil!

Siba – Avante: primeiro registro que saiu esse ano (de nada), ainda é um dos discos mais bonitos de 2012 e um dos preferidos da casa. Siba Veloso é um poeta moderno, mas sempre procurando refugio na sonoridade, na vida simples e tradicional da mata norte pernambucana, onde nasceu o “artista e músico” dentro dele. Mesmo com muito tempo de estrada, “Avante” é o primeiro trabalho realmente solo dele, contou com a produção de Fernando Catatau e tem alguma das melhores letras que ouvimos em 2012 até então, em meio a melodias simples e temas que poderiam narrar momentos da vida de qualquer um e por isso ele aparece em nossa lista.

Victim! – Sexually Reactive Child: o Victim! Está aqui por um único motive: eu nunca ouvi algo tão porrada assim, principalmente feito a partir de traumas que marcaram a vida de alguém. Parece que você está dentro de cada um deles, que cada ruído ou cada camada eletrônica te toca de uma maneira que você se sente meio estranho, esquisito. Gosto quando isso acontece e até então, o que me fez chegar mais perto disso tinha sido os lançamentos do Corbelli, no seu projeto “Atrax Morgue”.

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