A menos que você seja chinês e tenha trabalhado numa fábrica da Apple, desenhos animados devem ser algo que resume bem este tempo bom que não volta nunca mais chamado infância. Além de comer doce até o cu falar francês, dos brinquedos, brincadeiras na rua/parque/condomínio, amigos imaginários e da mania de por tudo na boca, acredito que você tenha assistido muito desenho. E aposto que você ainda faz este último um pouquinho, não? Ok, talvez não. Mentira, deve assistir sim!
Muitos desenhos americanos eram bobos, fofinhos, engraçados, relativamente violentos ou mesmo politicamente incorretos e acho que essa era a magia deles. E pensar que hoje em dia praticamente 1/3 destes desenhos são censurados no Brasil. Por exemplo, já reparou como Tom e Jerry simplesmente SUMIU da televisão brasileira aberta? Tudo culpa da censura! Entre 2007 e 2008, o SBT e a Globo pararam de passar alguns de seus desenhos de maior audiência, entre eles animes populares entre crianças e adolescentes e praticamente TODOS os desenhos mais antigos como Tom e Jerry, Pernalonga e Patolino, Papa-Léguas, Pica Pau e tantos outros por um motivo: violência exacerbada, uso de armas de fogo, referências a conteúdo adulto e até mesmo a práticas de conduta indébita (leia se satanismo e este se referindo especificamente a um anime chamado Yu-Gi-Oh!).
Referente a estes fatos não noticiados abertamente sabe-se lá por qual motivo, vale a pena perguntar: Por que isso? Tal como toda uma geração, cresci assistindo desenhos assim e não me lembro de ter visto nenhum conteúdo agressivo aos olhos de uma criança. Era divertido ver o Tom dando tiros de espingarda no Jerry, era divertido ver Shiryu de Dragão ficando cego a cada temporada de Cavaleiros do Zodiaco, era divertido ver como o Pernalonga travestido seduzia todo mundo. E tudo isso era divertido por não ter olhos maldosos de censuradores malignos. Não acredito que as crianças de ontem podem ser mais inteligentes que as de hoje, então resolvi listar desenhos que a nova e a velha guarda deveriam assistir. Os novos, para mostrar como tudo antes era muito mais livre e engraçado que hoje e os velhos, para que assistam novamente e vejam como os desenhos até podem ter um segundo significado, talvez até ainda mais divertido.
Rocko’s Modern Life (A Vida Moderna de Rocko): Este desenho era simples: um wallaby (é tipo um canguru), um touro e uma tartaruga viviam numa pequena cidade, apenas tentando levar uma vida comum. Rocko, o canguru, trabalha numa loja em quadrinhos, Vacão (Heffer, originalmente) é o melhor amigo de Rocko e é o estereótipo do amigo gordo e Felizberto (Filburt) é o amigo nerd dos dois, que é cantor de boate nas horas vagas. Com um enredo simples e digno de uma sátira às sitcom dos anos 90, o desenho pode até parecer adulto pra caramba por conta da conotação sexual e piadas de duplo sentido as vezes, mas na maioria das vezes se comporta como um desenho infantil, por suas cores vivas e sua preocupação em passar mensagens para molecada. Ainda que a mensagem nem sempre seja a mais positiva.
Cow and Chicken (A Vaca e o Frango): Sem dúvida, um dos melhores desenhos que já vi na vida. Uma vaca e um frango são adotados por um casal de pernas para que sejam uma família feliz e unida. Em suas aventuras, a Vaca e o Frango convivem com personagens peculiares, como uma professora burra, amigos excêntricos e até mesmo um diabo levemente homossexual que vive com a bunda de fora. Não me espanta que tenham pegado tanto no pé deste desenho, afinal, eles foram pioneiros em vários aspectos. Em episódios, os assuntos são os mais variados, indo do tabagismo até mesmo ao lesbianismo, sempre envolvendo seus personagens principais. Em contrapartida, vale ressaltar que por mais polêmicos fossem os assuntos, tudo era levado na brincadeira, sem deixar de perder o humor levemente ácido e sarcástico num contexto totalmente infantil.

The Ren and Stimpy Show (Ren e Stimpy): Não acredito que este tenha feito tanto sucesso entre as crianças brasileiras, mas se tivesse passado num canal aberto, com certeza teria feito. Ren e Stimpy são respectivamente um chihuahua e um gato que vivem juntos e sempre se envolvem em altas confusões com seus amigos, um cavalo e uma torrada. Isso pra mim seria o suficiente pra assistir pelo menos umas três temporadas. Infelizmente o desenho foi BANIDO dos estúdios de sua produtora, por conta do seu humor extremamente apelativo, que era ótimo, mas que afetava alguns muitos por conta das presentes piadas com catarro e peido, além dos ataques de fúria de Ren, que o faziam espancar frequentemente seu amigo Stimpy. O banimento da série também se explica (não se explica muito, mas enfim) por seus episódios onde é revelado que Ren e Stimpy são um casal homossexual e por um episódio onde são feitas alusões à possibilidade de Ren sofrer de esquizofrenia paranoide. Apesar de tudo, o desenho possuía uma forte crítica à cultura americana e a sanidade dos personagens, que eram um reflexo da sociedade de um modo geral. Nada que uma criança pudesse observar, mas fazer o que, né…
Animaniacs (Animaniacs): Três irmãos desenhos animados da Warner trabalham tanto em produções, filmes e comerciais que acabam enlouquecendo completamente. Na vida real, chamamos de Síndrome de Burnout, mas nos desenhos, eles viraram os Animaniacs. Cada episódio é composto por três mini-episódios, que tem como proposição fazer um show de esquetes animadas ou paródias muito bem estruturadas de filmes ou produções da cultura pop em geral. O desenho tinha como principal característica o humor pastelão, com tortada na cara e aperto de nariz, mas dizem as línguas que as vezes ele ia longe demais no humor negro e até mesmo nas piadas de duplo sentido. O desenho parou de ser exibido no Brasil exatamente por conta do último quesito. Ah, a ironia!
Johnny Bravo (Johnny Bravo): Um cara de 21 anos cheio de hormônios que vive atrás da mulherada, mas que só se fode. Seria um desenho sobre minha vida se o personagem principal fosse mais infame. Além de morar com a mãe, Johnny está sempre por aí a caça de brotos, ocasionalmente encontrando seus amigos Cacá, um nerd inveterado, Pops, dono de lanchonete em que Johnny frequenta, e Suzy, uma bandeirante vendedora de biscoitos. Johnny Bravo é um desenho bastante cômico, por conta das situações singelas e enredos bobos, porém que não subestimam a inteligência de um ser humano com menos de 13 anos. Mas é de impressionar como um desenho tão simples e divertido conseguiu ser cancelado depois de aproximadamente seis anos no ar. Aparentemente, a sensualização dos personagens não agradou os papais e mamães que não tem o que fazer. As mulheres estavam sexys demais e os homens mais másculos. O que rendeu o cancelamento precoce da série aqui na terra brasilis foram as cantadas de Johnny, que iam de um simples “e aí gata, quer ir no cinema comigo?” a um “eu tenho algo na minha calça se mexendo”. Obviamente no episódio, ele estava falando de um caranguejo, mas tem gente que não gosta de entender o óbvio.
Invader Zim (Invasor Zim): É comum termos alienígenas o tempo todo nos desenhos animados. É comum que um alien venha para a terra observar o comportamento humano, pra saber como vivemos e como realmente somos. Mas é normal um alien viver entre nós, ODIAR nosso planeta e estar preso nele? Num desenho animado, claro que sim. Porém, a censura achou que seus questionamentos eram ofensivos e faziam sentido demais, mostrando um lado misantropo e odioso da raça humana. Como se ninguém nunca acordasse num dia ruim, não?
Existem incontáveis desenhos animados que fizeram nossas infâncias muito felizes e que fariam nossos dias mais felizes se ainda passassem na televisão, mas graças à internet, ao menos dá pra caçar os episódios perdidos por aí. Este é o bom de ser pirata e poder navegar nos mares da nostalgia do download ilegal!








5 comentários
Luísa says:
May 2, 2012
Mas essas crianças atuais conseguem se influenciar pelos desenhos e se tornar armas de destruição em massa. Se bem que Ben 10 nem se equipara aos mais antigos.
Troll Supremo says:
May 5, 2012
Hoje já não fico mais perplexo quando vejo pessoas preocupando-se demasiadamente com o suposto conteúdo imoral por trás dos desenhos que as crianças assistem. Parece que se esqueceram do caráter ingênuo do olhar infantil: as crianças veem os desenhos com olhos de crianças. E do mesmo modo que não captam o duplo sentido das piadas de alguns desenhos, elas também não captam a grande sodomia e perversidade que há por trás do mundo, mesmo nos gestos mais singelos e supostamente ingênuos de pessoas alegadamente corretas e honestas.
brenda says:
Jun 26, 2012
que oror
luciana says:
Sep 29, 2012
imagino que nenhum de vcs tenham filhos pequenos,e que eu me lembre na minha infancia nem eu nem meus amigos eram tao ''ingenuos'',como vcs dizem,nao acredito que esses desenhos sao para crianças…alias o titulo ja diz:desenhos infantis nao tao infantis….
Sakeh says:
Mar 10, 2013
Se fuderem bando de mariquinhas! Esses desenhos eram epicos! e dai se não era tão infantis? eu mesmo n sacana nada das piadas de duplo sentido ate os 10 anos, assistia desenhos como Rocko e n sacava nada mas quando revi na Nick notei como era genial *-* hoje em dia os pais estão cheio de frescura sobre desenhos como se eles fossem fazer seus filhos virarem sadomasoquista ou assassinos ‘-’