resenha disco belo
Muita gente só dá valor aos  ídolos depois que eles se vão e vimos isso com Wando, Bezerra da Silva, Cartola, Herbert Vianna (ou pelo menos a metade debaixo dele) e a Adel, ops… Amy Winehouse. Pois então, vamos consertar isso da maneira mais justa! Resolvi ouvir toda aquela galera antiga que sempre curti e saí um pouco dos tempos de nostalgia pra conferir os sons que eles fazem atualmente. E o primeiro nome que me veio em mente é dele, do maior ídolo de quando bebo nos churrascos e aniversários que frequento: Belo! Dei uma bela ouvida no ultimo trabalho dele “Pra Ser Amor”, de 2010, mas que só começou a ser divulgado no final de 2011 e começo deste ano por conta da cadeia que ele amargou por tráfico de drogas. E por favor, sem piadinhas sobre ele vender os próprios discos. Mas enfim, vamos à minha opinião sobre o trabalho do grande trabalhador.

resenha belo

Quem te viu, quem te vê, amg!

Não sei se isso vai soar direito, mas o tempo em que ficou na cadeia o fez muito bem, mas claro, isso não é razão pra se dizer que o sistema funciona e que estamos gerando melhores cantores de pagode, até porque sabemos que os quinze minutos do gênero já se foram. Ao ouvir o álbum, não pude deixar de comparar seu novo trabalho aos antigos que encheram minha infância com a mais pura melodia popular que traduzia bem o cenário de quem tomava ônibus usando passe no meio e no final dos anos 90, mas as mudanças são marcantes em alguns pontos e irrelevantes em outros.

Em termos de comparação, acredito que os antigos fãs de seu som conseguirão reconhecer aquele Belo de outros tempos, de antes da prisão. Os arranjos e a melodias foram muito bem compostos e em certas faixas a escolha de instrumentos introdutórios e que conduzem a música foi bastante surpreendente, o que me deixa em dúvida se devo chamar o bom e velho Belo de pagodeiro, já que as músicas se “rebuscaram” tanto a ponto de me questionar se estava ouvindo o disco novo do Fábio Jr. E me questionei sobre isso não só por sua erudição súbita, mas pela escolha dos nomes das faixas, pelo dueto com a Marina Elali (o google sabe quem é) e justamente pelo singelo abandono daquilo que o marcou como o cantor que era: o cavaquinho, o pandeiro, o violão e aquele bando de fãs espinhudas e gordas gritando “LINDOOOOO!”. De alguma forma, metade daquele Belo se foi. E devia ter reparado isso só olhando a capa do disco!

resenha belo

Se ele estivesse cheirando a flor, eu não teria feito esta resenha

Em relação às letras, parece que ele teve bastante tempo pra ler enquanto cumpria pena. Elas não são distantes daquilo que falavam antes, que aliás, abusavam do romantismo e da melosidade que todo mundo ligeiramente carente adorava, mas é de se impressionar que em termos de vocábulos utilizados e concordância verbal, o trabalho foi digno da sua professora de primário dar estrelinha de bom aluno. Mas não somente em termos intelectuais (para um pagode noventista renovado) o disco me pegou desprevenido. O novo trabalho é mais melódico do que nunca. E eu particularmente achava isso difícil, afinal, se tratava de um pagodeiro cuja característica principal era a voz entonada com o nariz e a afinação de como se estivesse tomando sabugadas no rabo. Em algumas horas, dava pra sentir a dor do intérprete. A dor anal de amar.

Em resumo, o disco novo do Belo é mediano. É engraçado ver que o artista vai tomando outros rumos e vai tentando lapidar seu som de maneira que o permita se atualizar cada vez mais. Digo, vemos isso o tempo todo com várias bandas, mas confesso que nunca achei que veria isso acontecendo com o Belo. Era tão bom do jeito que estava que acabou me decepcionando um pouco, apesar dos aspectos positivos da mudança, que vemos no álbum. Por outro lado, é muito bom saber que a preservação de alguns elementos ainda me faz nostalgiar ao som de sua voz. Espero que não tenha soado homossexual.

Nota: 6,5 de 10.

Destaque: ”Direito de te Amar” (sério)

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